sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2011


"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra frente tudo vais er diferente."




Carlos Drummond de Andrade

Último post do ano!!


Desejo-lhes um 2011 cheio de paz e alegrias e até o ano que vem!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Defenestração – Luis Fernando Veríssimo


Certas palavras tem o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias com todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.
Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.
- Os hermeneutas estão chegando!
- Ih, agora que ninguém vai entender mais nada…
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
- Alo…
- O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem deveria ser uma peça mecânica.
- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo deveria ser barulho que um corpo faz ao cair na água.
Mas, nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.
A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar deveria ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deveriam sussurrar ao ouvido de mulheres:
- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas, algumas… Ah, algumas defenestravam.
Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.
Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerram os documentos formais? “Nesses termos , pede defenestração..” Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em?
-Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada era a palavra exata.
Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. “Defenestração” vem do francês “Defenestration”. Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Ato de atirar alguém ou algo pela janela!
Acabou a minha ignorância, mas não minha fascinação. Um ato como esse só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada a baixo. Por que então, defenestração?
Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
- Lês defenestrations. Devem ser proibidas.
- Sim, monsieur le Ministre.
- São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
- Sim, monsieur lê Mnistre.
-Com prédios de três, quatro andares, ainda era possível. Até divertido. Mas, daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: “Interdit de defenestrer”. Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.
Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
- É essa estranha vontade de jogar alguém ou algo pela janela, doutor…
- Humm, O Impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar – diz o analista, afastando se da janela.
Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.
Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
-Querida…
- Mmmm?
-Há uma coisa que preciso lhe dizer…
-Fala amor.
-Sou um defenestrador.
E a noiva, na inocência, caminha para a cama:
- Estou pronta pra experimentar tudo com você. Tudo!
Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbucia:
- Fui defenestrado…
Alguém comenta:
- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela.
Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassa-lo e defenestrar essa crônica. Se ela sair é porque resisti.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Morte e Vida Severina de João Cabral de Melo Neto


"O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI


O meu nome é Severino,

como não tenho outro de pia.

Como há muitos Severinos,

que é santo de romaria,

deram então de me chamar

Severino de Maria;

como há muitos Severinos

com mães chamadas Maria,

fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias.

Mas isso ainda diz pouco:

há muitos na freguesia,

por causa de um coronel

que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo

senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem fala

ora a Vossas Senhorias?

Vejamos: é o Severino

da Maria do Zacarias,

lá da serra da Costela,

limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:

se ao menos mais cinco havia

com nome de Severino

filhos de tantas Marias

mulheres de outros tantos,

já finados, Zacarias,

vivendo na mesma serra

magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:

na mesma cabeça grande

que a custo é que se equilibra,

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas,

e iguais também porque o sangue

que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte severina:

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta,

de emboscada antes dos vinte,

de fome um pouco por dia

(de fraqueza e de doença

é que a morte severina

ataca em qualquer idade,

e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos

iguais em tudo e na sina:

a de abrandar estas pedras

suando-se muito em cima,

a de tentar despertar

terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar

algum roçado da cinza.

Mas, para que me conheçam

melhor Vossas Senhorias

e melhor possam seguir

a história de minha vida,

passo a ser o Severino

que em vossa presença emigra. "

sábado, 2 de outubro de 2010

Candidatos à presidência

Amanhã nós vamos decidir quem vai ocupar importantes cargos do Estado. Eu acho que a essa altura todo mundo já tem o seu candidato principalmente à presidência. Vou colocar aqui o vídeo do fim do debate que teve nessa quinta feira 30/09 na tv globo. Resolvi colocar porque o que o Plínio de Arruda Sampaio disse me emocionou muito (eu até chorei) e queria colocar essa linda mensagem para a juventude aqui no meu blog.
Pra falar a verdade, eu não vou votar no Plínio. Vou votar na Marina. Primeiro porque eu acho que votar nele é jogar o voto no lixo porque, infelizmente, ele não tem chance nenhuma. Segundo porque ele mesmo não se candidatou pra ganhar. Se candidatou pra ter espaço na tv e falar com a população. Isso se tornou bem claro pra mim quando assisti aos debates e às propagandas.
Seja qual for o seu candidato à presidência, fique à vontade para ver o vídeo (só se você for votar no Serra, daí pode sair do meu blog que você não é bem-vindo =D).
E se por acaso você mora em SC e ainda não tem candidato a Deputado Estadual, vota na Angela Albino que ela é muito competente (pode confiar que eu a conheci pessoalmente). O número dela é 65123.
Amanhã seja um bom cidadão e pense no bem do seu país! E viva o Brasil!



video

sábado, 4 de setembro de 2010

Confissões do Latifúndio


“Por onde passei,

plantei

a cerca farpada,

plantei a queimada.


Por onde passei,

plantei

a morte matada.


Por onde passei,

matei

a tribo calada,

a roça suada,

a terra esperada...


Por onde passei,

tendo tudo em lei,

eu plantei o nada.”


Pedro Casaldáliga

(Bispo Jubilado de São Felix do Araguaia, MT)


Do dia 1 ao dia 7 de setembro está tendo um Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. Participe!


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tal Como São Tomé

Olá, amigos! Sendo bem sincera com vocês, não estou postando muito porque estou estudando muito para o vestibular. Mas prometo que pelo menos uma vez por mês postarei. O texto a seguir é de um livro que eu li e adivinha? Vai cair no vestibuar. Então é até bom eu estar aqui escrevendo sobre ele em vez de escrever outras coisas. O assunto o qual o texto trata não cairá no vestibular, mas da para você que vai fazer o vestibular da UFSC este ano, conhecer um pouco o perfil de uma personagem: Hilda de “O Guarda Roupa Alemão”. Eu gostei bastante do livro. Dos que eu li até agora do vestibular da UFSC, ficou em segundo lugar da minha preferência. O primeiro é “O Filho Eterno” (Leiam, é muito, muito, muito bom meeeesmo!). Os livros que li até agora do vestibular da USP, eu só li três, mas também entrou um livro na minha lista de livros preferidos: Dom Casmurro. Os meus outros livros preferidos você pode ver na minha estante aí ao lado.

Agora voltando ao assunto da Hilda, eu a adorei. Conheça-a melhor agora:
“- Bom Jesus é Deus?
- Tudo é um só Deus.
- Como é que pode???
(...) Comecei a ver que as coisas tinham muitas faces. O Espírito Santo, o Pai e o Filho eram um só? Como?
- É um mistério, filha. Nos mistérios de Deus ninguém pode entrar.
- E depois?
- Depois o quê?
- É só acreditar.
- Acreditar? Como? Ah! Há sei. Indo para a frente, pulando de amarelinho, sem queimar o pé no risco. Mas... eu vejo o risco. O amarelinho eu desenho no chão. Meu pé está aqui? E agora?
- Ué. Você não vê Nossa Senhora no altar? Não vê São José? O Senhor dos Passos que sofreu por nós na cruz?
O problema era que Nossa Senhora não falava. Não se mexia. Não saía do lugar. São José também.
(...)Dona Orita sempre me dizia que o negócio era acreditar em tudo e não fazer como São Tomé.
Não sei por que, tinha uma simpatia danada por esse São Tomé.
- Nada disso, guria. São Tomé foi castigado só porque não quis acreditar.
- Castigado??? Por quem?
- Ora por quem. Por Deus!
- Por Deus???
O negócio era juntar castigo com Deus. Não podia. Deus não podia castigar ninguém. Ele era...
- É sim, guria. Deus castiga, sim. Ora essa. O teu pai não te castiga?
- Quem? O pai? Imagina só...”

O Guarda Roupa Alemão
Lausimar Laus

Vocês gostaram dela? Eu me identifico com ela. Ela questiona coisas do Catolicismo: Por quê adorar uma estátua que não se mexe? Ou, por que Deus nos castigaria se fizéssemos coisas erradas? Ele não é um Deus de amor? Como um Deus de amor pode fazer pessoas sofrerem? Os católicos que me desculpem, mas isso não faz sentido algum!

Outro questionamento da Hilda é como que o Pai, o Filho e o Espírito Santo pode ser uma coisa só. É algo realmente complexo. Eu nunca me perguntei isso. Na verdade, nesse sentido eu acreditava sem questionar. Mas eu questiono muitas coisas sobre religião. Minha mãe é quem sabe porque 99% dos meus questionamentos são todos para ela. Eu não exporei nenhum deles aqui porque se não iria ficar umas três horas escrevendo sem chegar a conclusão nenhuma. Uma coisa somente que me questionei justamente sobre meus questionamentos foi que Eva comeu o fruto proibido porque achava que ele lhe daria todo o conhecimento que Deus tinha. O resultado: foi banida do paraíso (Castigo de Deus ou Consequencia?). O que eu quero dizer é que Deus não gostou quando Eva o desobedeceu. E será que ele gostaria de mim, de você, de Hilda, se perguntássemos tantas coisas? Se quiséssemos ter o conhecimento que Deus tem???

Perguntei isso para minha mãe. Ela disse que não, que Deus gostava que a gente questionasse. Acho que ela nem lembra que eu perguntei isso. Faz um tempão.

Bom, Platão dizia que o objetivo que todo filósofo deveria ter é tentar se igualar a Deus na questão do conhecimento. Pode ser que Platão estivesse errado. E pode ser que ele fosse até prepotente ao pensar isso, mas eu, com os meus questionamentos filosóficos, estou na mesma posição que Platão. E se Platão estava errado, quem sou eu para ser melhor que ele?

terça-feira, 27 de julho de 2010

Uma Grande Perda



Olá, meus amigos!Eu fico com vergonha da minha cara de pau de demorar tanto para postar um novo post. Nos dias de aula é compreensível que eu não tenha tempo, mas nas férias? Nem quero demorar muito para explicar algo que, na verdade, não tem muita explicação, mas a verdade é que nessas férias dediquei o meu tempo mais para passear, ler e escrever o meu livro (e nem escrevi muito. Mas vamos lá. Disse que ia fazer uma homenagem a Saramago.Confesso que estou sem inspiração nenhuma e não me sinto digna ou à altura de homenageá-lo sem inspiração. Mas se eu não a fizer hoje, não farei nunca mais. Então, novamente, vamos lá.
Nos dias próximos ao que José Saramago nos deixou, a última frase postada no blog dele foi a mais divulgada. É esta:


“Pensar, pensar


Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago
Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.
Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008”

A frase é muito boa, eu concordo. A humanidade decididamente precisa de filosofia. Mas eu, Samara Hartt, não gosto de ser igual aos outros e por isso decidi que esta não será a frase da minha homenagem a esse maravilhoso escritor.
Escolhi algumas frases de seu blog.

Manipulação
Por Fundação José Saramago
Nas sociedades modernas, que a si mesmas se chamam democráticas, o grau de manipulação das consciências chegou a um ponto intolerável. Isto gera um sistema que é democrático apenas na forma.
“A manipulação das consciências chegou a um ponto intolerável”, El Correo, Bilbao, 8 de Março de 2003 [Entrevista de César Coca]
Esta entrada foi publicada em Julho 12, 2010 às 12:39 am e está arquivada em Outros Cadernos de Saramago"


Um aparelhinho para Marte…
Por Fundação José Saramago
Enquanto estamos a falar, há milhares de milhões de pessoas que morrem de fome. Como podemos aceitar que o homem não seja um ser solidário, que já não pense na espécie e se tenha convertido num monstro de egoísmo e ambição que despreza milhares de pessoas que nada têm? Não se faz nada para resolver problemas essenciais. Para milhões de pessoas no mundo, nenhum dos problemas essenciais da vida está resolvido, enquanto nos entretemos a enviar um aparelhinho para Marte…
“O homem transformou-se num monstro de egoísmo e ambição”, El Cronista, Buenos Aires, 11 de Setembro de 1998 [Entrevista de Osvaldo Quiroga]
Esta entrada foi publicada em Julho 23, 2010 às 12:01 am e está arquivada em Outros Cadernos de Saramago
.”


Por fim, algo para as pessoas que achavam que ele era sério, mudarem suas visões. Ele era divertido.

O relógio
Por José Saramago
Um dos meus amigos mais recentes acaba de me oferecer um relógio. Não uma máquina qualquer, mas um Omega. Tinha-me prometido que revolveria céu e terra para o conseguir, e cumpriu a sua palavra. Dir-se-á que a concretização da promessa não depararia com dificuldades de tomo, bastaria entrar numa relojoaria e escolher entre os diversos modelos, que certamente os haveria para todos os gostos clássicos e modernos, incluindo algum que o comprador não imaginava ter. A coisa parece fácil, mas tente o leitor encontrar numa dessas relojoarias um Omega fabricado em 1922, ano do meu nascimento, e diga-me depois o que sucedeu. “Provavelmente”, pensaria o empregado, “este senhor tem a roda de balanço partida”.
O meu relógio é dos de corda, necessita que diariamente lhe renovem o depósito de energia. Tem um aspecto sério que lhe vem, creio, do material de que está feita a caixa: prata. O mostrador é um exemplo de claridade que consola o coração contemplar. E o mecanismo está protegido por duas tampas, uma delas hermética e onde nem a mais ínfima partícula de pó conseguirá penetrar. O pior é que o relógio começou a causar-me problemas de consciência desde o primeiro dia. A primeira pergunta que me fiz foi esta: “Onde o ponho?” Condeno-o à escuridão de uma gaveta?” Nunca, não tenho o coração assim tão duro. “Então uso-o?” Já tenho relógio, de pulso, claro está, e seria ridículo andar com ambos, sem esquecer que o lugar ideal para um relógio de bolso é o colete, que agora já se não usa. Decidi, portanto, tratá-lo como se fosse um animalzinho doméstico. Passa os seus dias deitado sobre uma pequena mesa ao lado de onde trabalho e creio que é um relógio feliz. E, para consolidar a nossa relação, decidi levá-lo nas minhas viagens. Ele merece-o. Tem tendência para adiantar-se um pouco, mas esse é o único defeito que lhe encontro. Melhor isso que atrasar-se.O amigo que mo deu de presente chama-se José Miguel Correia Noras e vive em Santarém.
Esta entrada foi publicada em Abril 6, 2009 às 12:01 am e está arquivada em O Caderno de Saramago"

Queria estar inspirada para fazer uma bela homenagem a ele. Sinto-me mal por não ter inspiração agora.


Saramago foi o único escritor que conseguiu me fazer chorar de felicidade e depois de meia hora chorar de tristeza. Foi o único que me deu ataques de surpresas nos fins dos livros. Ele era verdadeiramente único. No dia 18 de junho de 2010 nós perdemos um grande escritor e um grande ser humano. A humanidade nunca mais terá alguém como ele.

Foi uma grande perda.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago faleceu




Não tenho muito tempo, mas não podia deixar de fazer uma pequena homenagem hoje a este maravilhoso escritor que nos deixou ao meio dia e meia. Outro dia, pretendo fazer uma homenagem maior, me esforçando o máximo possível para que seja digna dele. Por enquanto, uma frase de seu livro mais importante e que resume tudo o que ele foi.

“O filho de José e de Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso de suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”
“O Evangelho Segundo Jesus Cristo”

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ensaio sobre uma guerra pública: Análise do filme "Notícias de uma guerra particular"

Olá!
No último post eu disse que escreveria até terça dia 04/05 uma análise do filme supra-citado. Bom, eu escrevi, mas não postei. Acontece que fiquei com muuuuita preguiça... não consegui controlá-la e ela tomou conta do meu corpo... Mas aqui estou.

Para quem não leu o último post, colocarei novamente informações sobre o filme caso você queira assistir:

Título Original: Notícias de uma Guerra Particular
Gênero:
Documentário
Direção: João Moreira Salles, Kátia Lund
Roteiro: João Moreira Salles, Kátia Lund, Walter Salles
Duração: 56 minutos
Sinopse: Eleito um dos melhores filmes brasileiros contemporâneos pela Revista de Cinema e vencedor da competição nacional de documentários do festival É Tudo Verdade, Notícias de uma guerra particular é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro. Flagrantes do cotidiano das favelas dominadas pelo tráfico de drogas alternam-se a entrevistas com todos os envolvidos no conflito entre traficantes e policiais - incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. A realidade da violência é apresentada sem meio-tons e da forma mais abrangente possível, tornando patente o absurdo de uma guerra sem fim e sem vencedores possíveis.


E agora, finalmente, lá vai a minha análise:

“Para começar, eu discordo do título do filme. Essa guerra não deveria ser encarada como particular e sim de toda a sociedade. Faço minhas as palavras daquele prisioneiro: Que sociedadde é essa que as pessoas trabalham duro por todo o mês e no fim dele ganham R$100,00? Quem consegue sobreviver com R$100,00 por mês? Concordo em partes com o que aquele coordenador de Segurança (ou outro cargo do gênero, não me lembro exatamente) disse: É óbvio que os rapazes que ganham R$100,00 por mês e veem que no tráfico podem ganhar R$300,00 por semana vão querer trocar o trabalho “honesto” pela criminalidade, mas é culpa deles?

Não. Decididamente não. É culpa da sociedade. Os pobres – que ganham R$100,00 por mês (ou no máximo R$510,00, que é o salário mínimo e ainda é muito pouco) – não vão ter dinheiro nem para alimentar os filhos, quanto mais para pagar uma escola. Os filhos, então, vão para a escola pública onde não aprendem o suficiente para arranjar um bom emprego e vão para o tráfico. Logo, todos veem que não é pelo estudo que se ganha dinheiro e sim pela criminalidade e seguem o mesmo caminho.

Aí começa a guerra armada. Policiais de um lado, traficantes do outro e o verdadeiro valor da vida é totalmente esquecido. Que sociedade é essa? Eu digo que sociedade é essa. É a sociedade de um dos países mais ricos do mundo e mais pobre na distribuição de suas riquezas. É a sociedade de um país de o homem que coordena a segurança de uma importante cidade como o Rio de Janeiro diz que essa mesma sociedade quer que a polícia seja corrupta.

É claro, a polícia tem que assassinar os “favelados vagabundos” para “controlá-los”. Para impedir que eles invadam a cidade. Para impedir, sei lá, que façam uma revolução? É! Para impedir que lutem por seus direitos!

É essa a sociedade. A sociedade cujas pessoas que têm poder para mudar essa situação – políticos e pessoas ricas – não querem mudar a situação, porque, obviamente, querem continuar ricas. É a sociedade, por fim, cujas pessoas que podem votar nos políticos bons preferem não se intrometer e falar que essa guerra é particular.”

sábado, 1 de maio de 2010

Eu queria que abril tivesse 31 dias

Olá, amiguinhos!
Faz 30 dias que eu não posto algo novo aqui! Queria que hoje fosse dia 31 de abril, para o mês de abril não ficar sem postagem nenhuma... Infelizmente, abril só tem 30 dias e hoje já é 1º de maio (aliás, feliz dia do trabalho [que droga, feriado em pleno sábado! Não podia passar para segunda feira, ou sexta?]).

Decidi que vou dedicar esse dia à escrita. Estava na dúvida de escrevia o meu livro, ou escrevia no blog, então fui tomar banho enquanto me decidia. E o que eu decidi? Ah! Você errou! Eu não vou escrever no blog, não. Quer dizer, estou escrevendo, mas não vou fazer uma análise de frase nem nada. Na verdade, esse texto só é um modo de dizer que estou viva e que em breve (juro!) vou postar algo novo aqui.

Eu até já tenho em mente de qual será meu próximo post. Ontem eu assisti a um documentário na aula de História e o professor (professor esse que, infelizmente, não é o mesmo do ano passado, aliás, Luciano, se por acaso você ler isso, quero que saiba que estou sentindo falta das suas aulas!) mandou a gente escrever uma análise do filme valendo nota.

Então, como eu sou obrigada a escrever essa análise até terça feira de manhã (quer dizer, não me sinto obrigada, pois gostei do filme), terei de qualquer jeito um texto para postar (Juro que posto o mesmo até terça). E tenho que me obrigar a escrever o meu livro, pois faz muito tempo que eu não me dedico a ele...

Para quem quiser assistir ao filme antes de ler a minha análise, aqui estão alguns dados dele:

Título Original: Notícias de uma Guerra Particular
Gênero:
Documentário
Direção: João Moreira Salles, Kátia Lund
Roteiro: João Moreira Salles, Kátia Lund, Walter Salles
Duração: 56 minutos

Sinopse: Eleito um dos melhores filmes brasileiros contemporâneos pela Revista de Cinema e vencedor da competição nacional de documentários do festival É Tudo Verdade, Notícias de uma guerra particular é um amplo e contundente retrato da violência no Rio de Janeiro. Flagrantes do cotidiano das favelas dominadas pelo tráfico de drogas alternam-se a entrevistas com todos os envolvidos no conflito entre traficantes e policiais - incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. A realidade da violência é apresentada sem meio-tons e da forma mais abrangente possível, tornando patente o absurdo de uma guerra sem fim e sem vencedores possíveis.

Ah, mais uma coisa: Eu tenho tio que está câncer no peritônio (que é a pele que envolve o aparelho digestivo). O nome dele é Rui. Vou colocar abaixo os links dos blogs dele, se vocês quiserem dar uma olhada. Mas o que eu quero mesmo pedir é que vocês orem por ele. Quanto mais orações, melhor. Muito obrigada pela ajuda!
Breve Histórico da Força da Lei: http://brevehistricodaforadalei.blogspot.com/
A Escravidão e a Evolução da Lei: http://aescravidoeaevoluodalei.blogspot.com/

terça-feira, 30 de março de 2010

Complexidades da minha cabeça ou Intríseco


O Texto a seguir é um desabafo, uma necessidade, uma filosofia. Eu acho que você pode enlouquecer se ler isso, ou talvez não. Eu não sei. Eu realmente não sei. Acontece que neste momento eu não sei mais o que eu sei e o que eu não sei. Eu não sei mais nada. Sou uma filósofa? Talvez. Engraçado que no dia 19 (11 dias atrás) eu estava escrevendo um texto para colocar aqui no blog e... Espere. Eu me esqueci de te avisar: Talvez seja melhor você não ler este texto. Você vai me achar maluca. Ou pior: ficar maluco/a. Isso eu já disse. Mas estou falando sério. Eu estou complexada com a complexidade que me apareceu aqui na minha cabeça então pode ser melhor que você não leia. Eu preciso escrever. Os escritores precisam escrever e é o que eu sinto. Eu preciso descarregar um pouco disso aqui no blog senão, não conseguirei pensar na Biologia que eu deveria estar estudando agora. A pergunta é: Quem sou eu?


Não, não é essa pergunta, a pergunta verdadeira é: eu quero ser o que sou?

Então, como eu estava dizendo, no dia 19 eu estava escrevendo um texto para por no blog (não cheguei a terminar, não sei porque) que dizia que há menos de um ano eu postei um post que dizia que eu não sabia quem era e hoje eu já sabia. Talvez eu poste esse texto um outro dia, ou talvez não. O grande problema é que agora mesmo me deu um enorme problema na minha existência. Quer dizer, eu não quero deixar de existir, não quero morrer. A palavra não é bem existência, mas agora eu não sei qual é. Meu Deus, estou confusa.

A verdade é que eu acho que sei quem eu sou e até alguns minutos eu estava muito feliz com quem eu era, mas me questiono se eu realmente quero ser o que sou. Vou te explicar o que aconteceu para eu mudar de ideia (embora ainda ache que você não deveria ler isso):
Eu sempre pensei que viajaria no tempo se me apresentassem uma máquina do tempo. Acho que todo mundo viajaria. Mas o grande problema é que, segundo Einstein, uma pessoa pode viajar no tempo para o futuro, mas nunca poderá voltar ao passado. Faz tempo que eu sei disso, mas mesmo assim não me importaria, porque tenho muita vontade de conhecer o futuro. Eu sempre pensei que qualquer outra pessoa também faria o mesmo, mas acabei de perguntar ao meu irmão e ele disse que não, pois não sabe o que poderia encontrar lá e perderia toda a vida que ele tem agora. Eu fiquei pensando em como somos diferentes, fiquei pensando em quem sou eu na verdade. Quer dizer, eu nem pensei que deixaria todos os meus amigos e família para trás, eu só pensei que seria uma oportunidade única para conhecer o futuro...

Fiquei pensando se não é uma atitude fria a minha, às vezes eu troco a companhia das minhas amigas por estudo e sei lá, sempre pensei que fosse responsabilidade, mas agora comecei a me questionar se não é um pouco de frieza, deixar as pessoas que eu amo sem a minha companhia simplesmente porque tenho sede de conhecimento. Não é para ir bem na prova de amanhã. Eu realmente gosto de saber. Eu me sinto bem quando sei alguma coisa. Ego? Eu acho que é. Mas para terminar com esse meu ego eu deveria parar de estudar, parar de ler, parar de saber. Eu não posso fazer isso. O que seria da minha vida se eu não acrescentasse conhecimento, pelo menos toda semana, na minha cabeça? Qual seria o sentido da minha vida?

O que me preocupa é se eu não dou mais importância ao conhecimento do que ao amor... O amor deve ser a coisa mais importante no mundo. Essa é a lei de Deus e é o meu lema. Mas é que eu não amo somente os meus amigos e a minha família, eu amo toda a humanidade e eu quero fazer alguma coisa por ela. E não consigo achar outra maneira de ajudá-la se não pelo conhecimento. Eu preciso conhecer tudo para ajudar algo tão grande. Agora acabei de virar tudo de ponta cabeça. Antes disse que o meu defeito era ter pouco amor e sede de conhecimento, agora digo que o meu amor é grande demais. Mudei tudo em algumas frases. O que eu estou fazendo?

Eu não sei, eu só sei que agora que já escrevi tudo isso a minha complexidade se amenizou. Por isso que eu precisava escrever. Agora me deu vontade de escrever o texto que eu estava escrevendo no dia 19. Quer saber? Vou colocá-lo. Vou juntá-lo com este texto que agora acho que não é tão complexo assim, acho até que você pode lê-lo sem enlouquecer. Na verdade a parte mais complexa já passou. Eu acho.

O texto do dia 19 que agora se transformou no texto do dia 30, começava comigo dizendo que estou num momento Clarice Lispector. É, portanto um momento propício para a complexidade. Dizia então que até o dia 05/03 eu não havia lido nenhum livro dela.
Somente havia lido um trecho de “A Hora da Estrela” que tinha na minha apostila de Literatura do ano passado. Dizia agora que só de ler o trecho fiquei com vontade de ler o livro todo. Mas somente no dia cinco eu o aluguei e comecei a ler no dia cinco à noite. Passei o dia seis inteiro lendo e o terminei (é bem pequeno). Devolvi o livro no dia 19 para a biblioteca e aluguei mais dois livros dela: “Perto do Coração Selvagem” (seu primeiro livro, escreveu com 17 anos) e “A Maçã no Escuro”.

Dizia então que eu havia anotado diversas passagens de “A Hora da Estrela” que vou passar pra vocês. Hoje, porém, vou colocar uma passagem do livro que comecei a ler no dia 19 e que pretendo terminar amanhã:

“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo.”
Perto do Coração Selvagem
Clarice Lispector

Essa passagem explica bem o que acabou de acontecer agora. Eu estava agora pouco dizendo que me achava culpada por às vezes trocar a companhia das pessoas que eu amo pelo conhecimento. Em poucas linhas eu acabei falando que eu tinha amor até demais. Ou seja, eu disse e o que eu senti se transformou no que eu disse, mesmo que outrora eu não sentia o que eu havia dito. Você me compreende? Mas agora falarei o que eu estava pensando em falar no dia 19.

Pois bem, alguns meses atrás eu não tinha menor ideia de quem eu era e eu era uma pessoa assim (digo, desse tal jeito que eu era),e agora eu sei, ou pelo menos acho que sei, ou sei superficialmente, ou imagino o que eu seja, sei lá, mas hoje eu sei mais quem eu sou do que quando escrevi aquele post no ano passado que dizia que eu não sabia quem eu era. E hoje eu sou uma pessoa “assado” (quer dizer, de um jeito diferente do de antes). Por que?

Bem, eu não sei quando que escrevei aquele post, nem sei o nome dele, mas eu lembro de ter escrito. O que quero dizer é que quando escrevi eu provavelmente não havia começado a escrever o livro que estou escrevendo, ou pelo menos estava muito no começo.

Não vou contar a história dele aqui porque eu quero que você compre para ler quando eu publicar. O que eu digo é que o narrador é em primeira pessoa e é uma mulher. Ela conta a história dela quando tinha 17 anos. É uma idade próxima da minha (tenho 18) e quando comecei a escrever eu tinha 17, mas não por querer ser ela ou por ela ser eu, eu a coloquei com 17 anos porque ela deveria ser menor de idade, mas deveria alcançar a maioridade em pouco tempo. Por isso 17.

Bom, como eu estava dizendo, ela narra em primeira pessoa. Mas para o livro ficar bem real, como a minha professora de Literatura Ilda me disse uma dia, mostrar a alma da personagem, eu entrava nela. Ou melhor, ela entrava em mim. Ela tomava conta do meu corpo e no instante que eu escrevia (e escrevo) não sou eu que estou escrevendo (há talvez uns 10% somente que sou eu), é ela. E então ela e eu escrevíamos a vida dela. Nós estávamos dizendo quem era ela. E o que Clarice disse? Que quando a personagem dela dizia quem era seu sentimento se transformava no que ela estava dizendo. Acho que é o que aconteceu comigo. De tanto eu permitir que essa personagem fictícia entrasse no meu corpo e escrevesse sua vida, eu acabei ficando mais parecida com ela e ela comigo. Os meus sentimentos ficaram mais parecido com os dela e eu passei a saber mais quem eu era (ou melhor, quem eu sou), porque eu sou uma parte dela e ela é uma parte de mim. Somos intrínsecas.

Eu sempre achei flores bonitas, mas nunca dei tanta importância a elas. Ela da muita importância, pois as flores para ela são um símbolo de felicidade que outrora ela viveu. Ela se sente confortada ao lado das flores. Hoje eu também sinto uma certa familiaridade quando estou perto das flores.

Agora pensei que às vezes fico triste por ficar muito tempo sem escrever. Pensei que talvez não seja eu que fique triste, ela fica triste. A minha personagem que mora em algum lugar dentro de mim. Mas eu também fico triste, talvez eu fique com saudade dela. Pode ser.

Você consegue compreender o que eu estou dizendo? Às vezes eu não sei se estou sendo clara. A minha mente é tão complexa que não sei se outras pessoas a entendem. Apesar de talvez achar que todas as mentes, se fuçarmos, vão ser complexas.

Isso me leva a outra reflexão que comecei há poucos dias lendo “Perto do Coração Selvagem”. Mas não vou nem começar senão não acabo esse texto nunca.

Agora há um problema (não, há muitos problemas, mas hoje só falarei mais um) que título colocarei neste texto? Eu juntei o que era pra ser dois textos. O primeiro eu colocaria “Complexidades da minha cabeça” e o segundo “Intrínseco”. Qual dos dois eu ponho? Crio um terceiro? Ah, eu não tenho mais tempo, tenho que estudar Biologia. Vai os dois mesmo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

"Vale a pena lutar por um mundo melhor"


Olá, meus amigos!
Tenho que fazer uma redação sobre a Mulher para a escola. Decidi, então, falar um pouco das mulheres da História e comecei a pesquisar a vida de algumas. Pesquisei um pouco da vida da Cleópatra e depois de Joana D’arc. Minha terceira mulher foi Olga Benário Prestes. Deparei-me com um lindíssimo texto escrito por sua filha e é este texto que passarei para vocês. Espero que gostem tanto quanto eu.
“Tive o privilégio de ser filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, duas pessoas extraordinárias, que deram suas vidas por uma causa nobre. Dois combatentes revolucionários que se dedicaram inteiramente à luta por justiça social, por liberdade, pelo socialismo e por um futuro melhor para a humanidade.

Olga, grávida de sete meses, foi deportada para a Alemanha nazista pelo governo Getúlio Vargas, em setembro de 1936. Companheira dedicada de Luiz Carlos Prestes, meu pai, a quem salvara a vida de ambos quando foram presos, pela polícia de Filinto Muller, em 54 de março daquele ano, no subúrbio carioca do Méier. na ocasião, ela se interpusera corajosamente entre os policiais e o marido, impedindo seu assassinato.

A deportação de Olga Benário Prestes e Elise Ewert – ambas militantes comunistas alemãs – foi um gesto de boa vontade de Vargas em relação a Hitler, expressando a aproximação então em curso entre os dois governos. Foi também vingança e castigo cruel impostos ao grande inimigo do regime varguista – Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” para tantos brasileiros.

Olga e Elise viajaram ilegalmente, sem culpa formada, sem julgamento nem defesa. Na calada da noite foram embarcadas no navio cargueiro La Coruña, que partiu rumo a Hamburgo com ordens expressas de não parar em nenhum outro porto estrangeiro, pois havia precedentes de os portuários franceses e espanhóis resgatarem prisioneiros deportados para a Alemanha.

Minha mãe ficou presa incomunicável na prisão de mulheres Barminstrasse (Berlim), onde nasci, em novembro de 1936. Como resultado de importante e vigorosa campanha internacional pela libertação de Prestes e dos presos políticos no Brasil, assim como de Olga e de sua filha, fui entregue pela Gestapo à minha avó paterna – Leocadia Prestes – mulher valente e decidida, que encabeçava a campanha.

Quando me separaram de minha mãe contava com apenas 14 meses de idade. Não pude, portanto guardar nenhuma lembrança dela. Logo depois, Olga seria transferida para outra prisão, em condições muito piores, e mais tarde para o campo de concentração de Ravensbruck. Em abril de 1942, era assassinada numa câmara de gás no campo de Bernburg.

A tragédia que atingiu meus pais marcou minha vida. De que maneira? Poderia ter me tornado uma pessoa amargurada e decrescente da humanidade, convencida de sua maldade intrínseca. Ou poderia ter me levado a pensar que os homens, embora em sua maioria não sejam maus, facilmente se deixam arrastar pela maldade de alguns. sendo assim, não haveria por que acreditar no progresso da humanidade, não existiriam razões para qualquer otimismo em relação ao seu futuro.

Cresci e fui educada no seio de uma família comunista – a família de meu pai, que só pude conhecer em 1945, quando ele, após nove anos de prisão, num isolamento quase total, afinal foi libertado. Minha avó Leocadia, minha tia Lygia, que acabou sendo minha segunda mãe, meu próprio pai, minhas outras tias conduziram-me por outro caminho.

Desde a mais tenra idade, foi-me mostrado o exemplo de meus pais – dois revolucionários comunistas que passaram por indescritíveis sofrimentos em nome da causa maior, a causa da emancipação da humanidade da exploração do homem pelo homem. ou seja, nas palavras de Karl Marx, lutavam para que a humanidade ultrapassasse sua pré-história, ingressando na verdadeira história, fase em que seriam superadas as injustiças e desigualdades sociais, em que não mais existiria a alienação dos homens.

Desde cedo, aprendi com a vida de meus pais, com o exemplo de minha avó e, em especial com a martírio de Olga, que vale a pena lutar por um mundo melhor para toda a humanidade. Aprendi que não devemos compactuar a com a injustiça, que é necessário lutar contra ela e que, apesar de todas as dificuldades, das derrotas e sofrimentos, dos erros e dos fracassos, a humanidade caminha para a frente, e os homens encontram maneiras de aperfeiçoar seus modos de viver.

Hoje, na qualidade de historiadora que sou, entendo que esses ensinamentos recebidos na infância são verdadeiros: a história da humanidade nos mostra que o progresso é a tendência geral das sociedades humanas, embora se realize através de múltiplos e imprevisíveis retrocessos momentâneos, que por vezes podem lutar muito, levando em conta o quanto a vida humana é efêmera.

Em suas cartas enviadas do cárcere, meu pai revela a preocupação de que eu soubesse de que ele nem Olga se sentiam infelizes com a sorte que o destino lhes reservara. Pelo contrário, apesar dos sofrimentos, apesar da imensa tristeza de se encontrarem separados um do outro, longe da filha e dos que mais amavam, consideravam-se felizes por terem consciência do dever cumprido. E nisso, para eles, consistia a mais completa felicidade.

Da mesma forma, minha mãe, nas poucas cartas que conseguiu mandar do cativeiro, expressava o desejo de que eu fosse uma criança feliz e alegre, orgulhosa de meus pais se terem empenhado na luta por um mundo melhor, sem queixas nem arrependimentos. Seu sacrifício não era maior do que o de milhões de outros seres humanos que, naquele momento, enfrentavam os horrores da noite fascista que se abatera sobre a nossa civilização.

Havia, contudo, uma diferença importante. meus pais, distintamente de milhões de inocentes que sofriam e morriam sem conhecer as causas de tamanha desgraça, tinham consciência do fenômeno fascista e do seu perigo para a humanidade. Por isso, haviam lutado contra ele com todas as suas energias. derrotados, arcavam com as conseqüências de seu gesto. Mantinham-se, porém, confiantes de que o fascismo e sua variante alemã – o nazismo – seriam vencidos, como de fato se verificou, com a derrota dos países do eixo, no final da segunda guerra mundial.

Sua confiança decorria da profunda convicção científica que ambos haviam adquirido ao estudar o marxismo e ao travar conhecimento com a experiência pioneira de construção de uma sociedade socialista na União Soviética. A teoria marxista do socialismo científico lhes permitia compreender que o fascismo não podia ser explicado pela loucura de um homem ou pelas tradições autoritárias ou militaristas de algumas sociedades.

O fenômeno fascista expressava basicamente a crise que o sistema capitalista atravessava nos anos 30, representava a resposta do grande capital ao avanço do movimento operário em países como a Itália e a Alemanha.

A construção do socialismo na URSS lhes mostrava a superioridade desse sistema social em comparação o capitalista. Apesar de imensas dificuldades enfrentadas pelo povo soviético, sitiado pelas potências imperialistas, as grandes conquistas do socialismo já eram visíveis através da realização concreta dos direitos sociais alcançados pelos trabalhadores. Nenhum país capitalista fora capaz de resolver como em poucos anos fizera o primeiro país socialista.

Naqueles anos terríveis, quando o fascismo tomava conta da Europa e a guerra revelava toda a sua crueldade, poucos acreditavam na possibilidade de sua derrota. Posso orgulhar-me de que minha família – meus pais, minha avó Leocadia, minhas tias, conhecedora da fibra do povo soviético, jamais tenha duvidado de sua vitória no grande conflito que sacudiu o mundo.

Essa confiança, aliada à compreensão do caráter profundamente retrógrado do fascismo, que o condenava, portanto, ao desaparecimento, permitiram aos meus pais resistir, com firmeza e sem perder as esperanças, às terríveis provações a que foram submetidos durante aqueles anos tormentosos.

Segundo os testemunhos de companheiras do campo de concentração, Olga jamais se entregou ao desespero nem ao conformismo, lutou até o último momento de sua curta vida, infundindo coragem e confiança no futuro em todos aqueles que a rodeavam. Meu pai saiu da prisão para a luta; seu objetivo jamais foi a vingança, mas a conquista de um futuro melhor para o nosso povo e para a humanidade. Foi a esta causa generosa que ele dedicou o restante de sua vida.”

Olga Benário Prestes e Luiz Carlos Prestes, meus pais
Anita Leocadia Prestes

quarta-feira, 3 de março de 2010

Olhos Limpos

Olá, pessoas!
Como vão vocês? Eu estou bem! Quer dizer, estou um pouco cansada e sobrecarregada, mas estou sobrevivendo. Sabem por que eu estou sobrecarregada? Porque às vezes eu acho que sou a mulher maravilha e que pode fazer várias coisas ao mesmo tempo! Olhem tudo o que eu tenho fazer em 24 horas por dia:

1) Estou organizando uma passeata para protestar a péssima qualidade do ensino público. Aliás, se vocês quiserem participar (quem mora em Floripa) ou apenas apoiar (quem mora em outro lugar), já vou fazendo uma propagandinha: Fiz uma comunidade no Orkut, onde as pessoas interessadas podem discutir o tema, combinar reuniões, etc, etc... Aqui está o link da comunidade:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=98840145 Além da comunidade, fiz também um Blog: www.reveducacional.blogspot.com , um Twitter: www.twitter.com/rev_educacional e um e-mail: revolucao_educacional@hotmail.com . Pra não faltar tipo de divulgação aqui na internet! Mas como estou meio atolada, ainda não deu pra escrever no blog e nem adicionar pessoas no twitter... Mas estou no começo ainda, tenho certeza que vai dar certo. Além da divulgação internáutica, falei com a minha classe e pedi para que o prof. De História falasse aos outros alunos. Vou também fazer uns cartazes e folhetos para a divulgação, enfim, estou cheia de trabalho! Mas tudo isso só faz parte do primeiro item. Ainda virão outros... O próximo está ligado a esse:

2) Estou planejando visitar uma escola pública, conversar com a/o diretor/a e ver se posso assistir a um dia de aula. Para que na passeata eu não fale besteira. Tenho que conhecer sobre o que vou falar, não?

3) Outra coisa, é que eu e as outras pessoas da passeata devemos escrever uma carta com as nossas propostas para uma educação melhor e mandar para os políticos. Na verdade, eu não acredito que qualquer um deles, seja municipal, estadual, ou federal vá ler, mas não custa muito tentar, não é?

4) Escrever o meu livro! O que leva ao 5º item:

5) No meu livro, eu citei uma obra de Platão, mas eu não tinha muita certeza se era de Platão, então, cansada de ficar na frente do PC pra procurar na internet, perguntei ao meu ex-(infelizmente, ex) professor de Filosofia. Eu só queria saber isso, mas além de dizer que era do Platão, no dia seguinte ele me veio com três livros para ler! Sendo que um tem mais de 900 páginas! O 5º item é, portanto, ler os três livros! O que me lembra do item 6:

6) Ler livros. Estou lendo Cem anos de solidão, Utopia, Regresso ao Admirável Mundo Novo (livro que pretendo terminar neste fim de semana porque quero falar dele na reunião da passeata), fora outros dois livros que eu li o comecinho faz tempo e ainda não terminei: A Flor da Inglaterra e AvóDezanove e o Segredo do Soviético. Ah, e ainda tem mais, os milhares de livros que vão cair nos vestibulares UFSC e FUVEST! De todos os que vão cair, eu li dois no ano passado e um nesse ano (na verdade, comecei ontem e terminei hoje, e logo falarei mais dele).

7) Estudar, estudar, estudar... Minha escola está puxando o meu sangue!

Esqueci de mais alguma coisa? Ah, claro, comer, dormir, respirar, essas coisas.

Então vamos logo para o texto de hoje. O livro que eu li ontem e hoje é um livro de crônicas. “Comédias para se Ler na Escola” de Luis Fernando Veríssimo e vai cair no vestibular da UFSC. Eu morri de rir com várias das crônicas contidas nele, mas uma em especial me chamou a atenção. Não a achei engraçada, mas interessante.

“História Estranha
Um homem vem caminhando por um parque quando de repente se vê com sete anos de idade. Está com quarenta, quarenta e poucos. De repente dá com ele mesmo chutando uma bola perto de um banco onde está a sua babá fazendo tricô. Não tem a menor dúvida de que é ele mesmo. Reconhece a sua própria cara, reconhece o banco e a babá. Tem uma vaga lembrança daquela cena. Um dia ele estava jogando bola no parque quando de repente aproximou-se um homem e... O homem aproxima-se dele mesmo. Ajoelha-se, põe as mãos nos seus ombros e olha nos seus olhos. Seus olhos se enchem de lágrimas. Sente uma coisa no peito. Que coisa é a vida. Que coisa pior ainda é o tempo. Como eu era inocente. Como meus olhos eram limpos. O homem tenta dizer alguma coisa, mas não encontra o que dizer. Apenas abraça a si mesmo, longamente. Depois sai caminhando, chorando, sem olhar para trás.
O garoto fica olhando para a sua figura que se afasta. Também se reconheceu. E fica pensando, aborrecido: quando eu tiver quarenta, quarenta e poucos anos, como eu vou ser sentimental!”
Luis Fernando Veríssimo
Comédias Para se Ler na Escola

Gostei da expressão “Olhos limpos”, olhos de criança que ainda não conheceram a crueldade do mundo. Estão limpos da sujeira do mundo. Acho que todos já desejaram, pelo menos uma vez, a voltar a ser crianças, veja todas as coisas que citei acima e que pretendo fazer. Se eu fosse criança, não estaria preocupada com nada disso. Estaria brincando. Apenas brincando.
A vida de uma criança é muito simples. Quando somos crianças, acho que nem nos damos conta do quão simples é a nossa vida. Principalmente crianças de sete anos. Crianças de sete anos não se dão conta de coisas como essas... Agora me lembrei de um texto que li na apostila de História. Dizia que os homens brancos podiam considerar os índios inferiores, pois eles não conheciam a tecnologia. Os índios, por sua vez, podiam considerar os brancos inferiores por terem tantas preocupações. Talvez seja assim a cabeça de uma criança, “os adultos são tão preocupados...” Preocupados, ocupados, e se possível, até pós-ocupados. O curioso é que os homens “civilizados” falavam mal dos índios, e os mesmos homens falam bem das crianças, querem voltar a ser como elas...

Talvez algumas pessoas estejam tão cansadas de ver sujeira que choram para tentar limpar os olhos novamente. Infelizmente, acho que quem já sujou os seus olhos, não consegue mais limpá-los. E fingir que não está vendo sujeira é hipocrisia. Então nós temos que tentar limpar o mundo, já que não dá mais para voltar a ficarmos cegos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Falando um pouquinho de História recente

Olá, meus amigos!
Hoje foi meu primeiro dia de aula depois de longas e deliciosas férias! Confesso que, como sempre, ontem estava triste por terminar as férias, mas até que gostei das aulas de hoje. Não foram tão insuportáveis assim. Só fiquei um pouco assustada quando vi a quantidade de material a ser usado em apenas um mês! È mais ou menos o triplo do que eu estava acostumada para um bimestre! Mas tudo bem. Se eu fizer tudo, tenho certeza que entrarei na USP. O meu sonho (ou um dos). O desafio é eu não morrer de estresse antes...
Hoje realmente é um dia muito importante. Além de ser o primeiro dia de aula no terceirão, hoje também é aniversário de 20 anos do meu irmão. Parabéns, Gabriel (eu sei que ele nem lê o blog, mas fica aí meus parabéns). Eu disse pra ele que ia fazer um bolo hoje e nem fiz... Vou fazer amanhã. Hoje também é o aniversário sabem de quem? Do blog! Ele está fazendo um aninho! He he he, o meu filho já está crescidinho...
Bom, para comemorar esse dia tão especial, quis por um texto que eu mesma tenha feito, e colocar as minhas próprias frases.
No fim do ano eu escrevi um texto na prova de História (as provas são sempre discursivas, e eu adoro!) e o professor sugeriu que eu postasse-o no meu blog. Vou postá-lo com algumas poucas alterações, pois às vezes menciono partes dos textos contidos na prova.

“A URSS havia acabado. A ideia do socialismo espalhado pelo mundo só reinava em alguns corações esperançosos. O socialismo era associado a ditaduras e os socialistas tidos como retrógrados. Agora começava o sonho dos países desenvolvidos capitalistas e o pesadelo dos países subdesenvolvidos: a Globalização.
Nesse contexto, é fácil entender porque o nacionalismo era mal visto (pois não cabe nacionalismo num mundo globalizado, além deste ser uma característica de ditaduras) e o neoliberalismo ser idolatrado.
Esse prefixo “neo”, que significa “novo”, não se encaixa muito bem, já que voltaram as relações coloniais do século XIX, e como disse Orwell, e todo mundo sabe, o Capitalismo é mantido pela desigualdade. A Globalização, a DIT (divisão internacional do trabalho) e a OMC (Organização Mundial de Comércio) ajudam a manter essa base.
Boris Fausto um dia disse que para entender a política hoje é preciso analisar a política de ontem. Por isso, voltaremos à época de Vargas. Ele foi provavelmente o presidente mais nacionalista (em todos os sentidos) do país. O Brasil era um mero exportador agrário e Getúlio rompeu essa tradição com sua política de substituição de importações criando empresas nacionais e estatais. Isso fez com que o Brasil ultrapassasse a crise de 1929 rapidamente.
Infelizmente, vieram outros presidentes que aumentaram enormemente a dívida externa do país; além da inflação começar a crescer de modo descomunal. Os presidentes tentaram diversos modos neoliberais de conter a inflação. Fernando Collor foi o último. Ele confiscou as poupanças das pessoas, ação de um plano para conter a inflação que não deu certo. Incentivou a entrada de transnacionais e importações, aumentou a desigualdade e sofreu denúncias de corrupção pelo próprio irmão. Era óbvio de que depois das denúncias terem sido provadas, ele renunciou.
O vice de Collor era Itamar Franco, que nomeou FHC ministro da fazenda que implantou o plano Real e acabou com a inflação. Isso foi uma ótima propaganda que fez de Fernando Henrique o presidente na eleição seguinte. Com uma política ainda mais liberal, privatizou algumas empresas estatais e aumentou a dívida externa.
Em 2002, Lula virou presidente e retomou o nacionalismo de Vargas. Pagou a dívida externa e a balança comercial que estava em déficit com FHC, passou para superávit.
Hoje, os de direita continuam dizendo que as privatizações modernizam o país (incluindo a revista Veja) e os de esquerda falam que não.”

Foi esse o texto que me fez perder o intervalo (porque passei todo o tempo escrevendo-o), sonhar que tinha tirado 7,2 e depois, finalmente, ganhar um dez! =D Espero que tenham gostado. Um ótimo fim de noite para vocês, e que o meu blog, assim como o meu irmão tenham muitos e muitos mais anos de vida!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Um ser multifacetado

“Tive vontade de lhe explicar que constantemente superestimo e subestimo a raça humana – que raras vezes simplesmente a estimo. Tive vontade de lhe perguntar como uma mesma coisa podia ser tão medonha e tão gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes.
Nenhuma dessas coisas, porém saiu de minha boca.
Tudo que pude fazer foi virar-me para Liesel Meminguer e lhe dizer a única verdade que realmente sei. Eu a disse à menina que roubava livros e a digo a você agora.
UMA ÚLTIMA NOTA DE SUA NARRADORA
Os seres humanos me assombram.”

A Menina que Roubava Livros

Markus Zusak

A mim também.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Minha Razão de Viver




"Mas haveria castigo e sofrimento, e haveria também felicidade. Em escrever."


A Menina que Roubava Livros


Markus Zusak




Escrever é um ato cheio de dualismos. Eu tenho certeza que os maiores escritores, asssim como eu, escreviam e escrevem por necessidade de escrever. Não quero me comparar a eles, mas é o que eu sinto.


Às vezes você se depara com alguma injustiça e sente necessidade de denunciá-la a todos. Talvez essa denúncia não mude o mundo, mas pode mudar o mundo de alguém. Você pelo menos sente que fez a sua parte. E se você não escreve aquilo não sai da sua cabeça.


Às vezes eu me sinto triste e não sei porque. Vou escrever e a tristeza passa. Percebo então que a minha tristeza era porque eu estava há muito tempo sem escrever nada. Escrever vicia e dá overdose.


É ótimo ler um livro e sentir que o escritor se abriu completamente como num divã. É ótimo também escrever como se você estivesse num divã. Ser você e nada mais.


Quando eu escrevo, eu posso ser eu mesma e ao mesmo tempo eu posso ser quem eu quero. Posso ser verdadeira como também posso contar mentiras. Para escrever você não precisa estar bem vestida, você não precisa estar maquiada. Para escrever você não precisa saber fazer equações matemáticas nem saber quem foi o último eliminado do BBB (aliás, isso você nem deveria saber). Para escrever você não precisa conhecer o presidente dos Estados Unidos, não precisa ter viajado pelo mundo e não precisa saber filosofia.




Para escrever você só precisa ter coração.
















sábado, 16 de janeiro de 2010

Palavras


“Seus cretinos, pensou.
Seus cretinos encantadores.
Não me façam feliz. Por favor, não me saciem nem me deixem pensar que alguma coisa boa pode sair disso. Olhem para os meus machucados. Olhem para este arranhão. Estão vendo o arranhão dentro de mim? Estão vendo ele crescer bem diante dos meus olhos, me corroendo? Não quero ter esperança de mais nada. Não quero rezar para que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner.
Porque o mundo não os merece.

Arrancou uma página do livro e a rasgou ao meio.
Depois, um capítulo.
Em pouco tempo, não restava nada senão tiras de palavras, derramadas feito lixo entre suas pernas e em toda a sua volta. As palavras. Por que tinham que existir? Sem elas, não haveria nada disso. Sem as palavras, o Führer não era nada. Não haveria prisioneiros claudicantes, nem necessidade de consolo ou de truques mundanos para fazer com que nos sentíssemos melhor.
De que adiantavam as palavras?
Dessa vez ela o disse em voz alta, para a sala iluminada de laranja.
– De que servem as palavras?”

A menina que roubava livros
Markus Zusak
Eu lhe respondo, Liesel Meminguer. As palavras não valem nada se você não acredita nelas. Mas se você acredita, elas podem mudar tudo. Podem escrever uma triste história como as palavras de Hitler, mas também podem nos dar esperança como as palavras de Deus.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Direitos Humanos

Diante de tanta polêmica a respeito do Programa Nacional de Direitos Humanos do governo Lula, vim dar o meu palpite.

O Programa não agradou aos militares nem à Igreja Católica.

Não agradou aos militares, pois seria criada a Comissão Nacional da Verdade que deveria “identificar e tornar públicas as estruturas utilizadas para a prática de violações de Direitos Humanos, suas ramificações nos diversos aparelhos do Estado e em outras instâncias da sociedade” durante a Ditadura Militar.
Esse trecho foi criticado, pois em vez de “violações de Direitos Humanos” que há agora, havia “repressão política”. Com a mudança, parece que em vez de culparem só os militares, também podiam culpar os revolucionários de esquerda que também tenham “violado os Direitos Humanos”.
Ora, o presidente Lula foi o nosso primeiro presidente de esquerda depois da Ditadura. Era óbvio que culparia os militares e não os seus amigos. Parece que essa mudança está mais “correta”, mas sendo sinceros, sabemos que houve sim repressão política durante a Ditadura e sabemos que ainda há desaparecidos políticos (mesmo que a Ditadura tenha acabado em 1985!). Sabemos que essas pessoas já morreram, mas também sabemos que é um DIREITO HUMANO enterrar seus familiares mortos e as famílias têm esse dever.
Essa mudança deixou o texto mais bonito, mas a mudança que os militares realmente gostariam que acontecesse era que a Comissão Nacional da Verdade nem fosse criada. Vai ver alguns até falaram “Para quê mexer no passado? O que está feito, está feito.” Para não serem culpados pelos verdadeiros crimes que cometeram. Desculpe, militares, o que vocês querem não vai acontecer. Já chega o enorme estrago que vocês fizeram na ditadura. Vocês são os culpados por destruir a juventude revolucionária. E pelo pior capítulo da História desse país.

Quanto à Igreja Católica, o que ela defende é que sejamos preconceituosos com pessoas que fazem abortos e homossexuais. Não querem ainda que os casais homossexuais possam adotar uma criança e amá-la. Isso tudo porque o aborto e o homossexualismo “não estão nas leis de Deus”. Então se vocês se preocupam tanto com as leis de Deus, obedeçam a principal: Amar.
Parem de condenar o que vocês consideram como pecado dos outros e cuidem dos seus. Amem as pessoas e não as julguem. Ninguém tem o direito de julgar o pecado de ninguém, pois ninguém está livre deles. Ninguém tem o direito de jogar a primeira pedra, nem vocês que DEVERIAM representar Deus.
Os abortos acontecem e legaliza-los só permite que as pessoas os façam com segurança e higiene. Proibi-los faz com que as pessoas procurem lugares clandestinos onde podem pegar infecções. É isso o que vocês querem? Não deveriam querer.
Os homossexuais só querem viver as suas vidas. Se por acaso eles estão errados, só quem pode julgar é Deus e não vocês. Então os deixem em paz! Deixem que eles se amem e amem as crianças que estão em orfanatos sozinhas querendo desesperadamente amor materno/paterno.Parem de ser preconceituosos e comecem a amar os filhos de Deus, porque é isso que vocês deveriam estar fazendo.
Sobre esse assunto eu li matérias nos jornais “Folha de São Paulo” e “Estado de São Paulo”. Li também alguns textos na internet. Só quero deixar registrado que achei a matéria do “Estado de São Paulo” extremamente ridícula por chamar Lula de “populista autoritário” por “mudar a Constituição”. Lula é populista sim, (e isso não é tão ruim se pensarmos nos presidentes não-populistas que tivemos) mas se fosse autoritário esse jornal não poderia publicar uma matéria dessa. Agora começou a rolar na TV uma propaganda sobre o “monstro da censura” estar voltando. Sim, a censura é algo autoritário e terrível. Mas e quanto à distorção da verdade? Pensando que a censura é uma falta de liberdade, onde está a liberdade das pessoas de poder distinguir as distorções da verdade? As pessoas não são livres, pois não são capazes de ver o que a mídia quer mostrar para elas. As pessoas não são livres, pois na infância não tiveram uma educação que lhes proporcione senso crítico. Isso é culpa das horríveis escolas públicas que temos.
A mídia que distorce a verdade não pode falar mal do governo por querer censura-la. É o sujo falando do mal lavado.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Hitler e as palavras

Feliz ano novo, meus queridos! Hoje já é o segundo dia do ano mas ainda da tempo de desejar que vocês tenham um excelente 2010, repleto de amor, amizade e alegria! Que seus sonhos sejam realizados e que se houver momentos de tristeza, que vocês nunca se esqueçam que elas são sempre passageiros e conduzem um momento feliz a outro. Lembrem-se o que postei a alguns posts atrás, que depois das nuvens negras sempre vêem gotas de água pura e límpida.
Antes de falar de Hitler e as palavras, quero falar que no dia 31 de dezembro, meus avós maternos completaram 50 anos de casadoas. Parabéns para eles! Cinquenta anos é muita coisa... Eu acho que não teria aguentado!
Agora vamos ao assunto de hoje. Esse enorme trecho de "A menina que roubava livros" foi uma pequena história que um amigo judeu da menina escreveu para ela. Essa história me impressionou bastante. Depois comento mais sobre ela. lá vai:
"ERA UMA VEZ um homenzinho estranho que decidiu três detalhes importanes sobre sua vida:
1. Ele repartiria o cabelo do lado contrário ao de todas as outras pessoas.
2. Criaria para si mesmo um bigode pequeno e esquisito.
3. Um dia, ele dominaria o mundo.
O homenzinho perambulou por muito tempo, pensando, fazendo planos e procurando descobrir exatamente como tornaria seu o mundo. E então, um dia, saído do nada, ocorreu-lhe o plano perfeito. Ele viu uma mãe passeando com o filho. A horas tantas, ela repreendeu o garotinho até que ele acabou começando a chorar. Em poucos minutos, ela lhe falou muito baixinho, e depois disso ele se acalmou e até sorriu.
O homenzinho correu até a mulher e a abraçou. 'Palavras!' e sorriu.
'O quê?'
Mas não houve resposta. Ele já se fora.
Sim, o Führer decidiu que dominaria o mundo com palvras. 'Jamais dispararei uma arma', concebeu. 'Não precisarei fazê-lo'. Mesmo assim, não se precipitou. Reconheçamos nele ao menos isso. Ele não tinha nada de burro. Seu primeiro plano de ataque foi plantar as palavras em tantas áreas de sua terra natal quantas fosse possível.
Plantou-as dia e noite, e as cultivou.
Observou-as crescer, até que grandes florestas de palavras acabaram crescendo por toda a Alemanha... Era uma nação de pensamentos cultivados.
ENQUANTO as palavras cresciam, nosso jovem Führer plantou ainda sementes para criar símbolos, e também estas se achavam bem perto do pleno desabrochar. Era chegada a hora. O Führer estava pronto.
Convidou seu povo a se aproximar de seu glorioso coração acenando-lhe com suas palavras melhores e mais feias, colhidas à mão em suas florestas. E as pessoas vieram. Todas foram colocadas numa esteira rolante e conduzidas por uma máquina-baluarte, que lhes dava uma vida inteira em dez minutos. Elas eram alimentadas com palavras. O tempo desapareceu e elas passaram a saber tudo que precisavam saber. Ficaram hipnotizadas.
Em seguida, foram equipadas com seus símbolos, e todas ficaram felizes.
Em pouco tempo, a demanda das encantadoras palavras medonhas e dos símbolos aumentou a tal ponto que, com o crescimento das florestas, muitas pessoas se tornaram necessárias para cuidar delas. Algumas era empregadas para trepar nas árvores e jogar as palavras para as que estavam embaixo. Em seguida, as palavras eram diretamente introduzidas no restante do povo do Führer, para não falar nos que voltavam para pedir mais.As pessoas que trepavam nas árvores eram chamadas de sacudidoras de palavras.Os melhores sacudidores de palavras eram os que compreendiam o verdadeiro poder delas. Eram os que conseguiam subir mais algo. Um desses sacudidores era uma menininha magricela. Ela era famosa como a melhor sacudidora de palavras de sua região, porque sabia o quanto uma pessoa podia ficar impotente SEM as palavras.Por isso, ela se mostrava capaz de subir mais alto que qualquer outra pessoa. Desejava as palavras. Tinha fome de palavras.Um dia, porém, ela conheceu um homem que era desprezado por sua pátria, embora tivesse nascido nela. Os dois se tornaram bons amigos e, quando o homem adoeceu, a sacudidora de palavras deixou uma única lágrima cair sobre o rosto dele. A lágrima era feita de amizade - uma só palavra - e secou e se tornou uma semente e, ao voltar à floresta na vez seguinte, a menina plantou essa semente entre as outras árvores. Regou-a todos os dias.A princípio, não aconteceu nada, porém, uma tarde, ao verificar a semente, depois de um dia inteiro sacudindo palavras, a menina viu que despontara um pequeno broto. Fitou-o por muito tempo. O broto foi crescendo dia a dia, mais depressa do que todos os demais, até se transformar na árvore mais alta da floresta. Todos foram vê-la. Todos murmuraram sobre ela e esperaram... pelo Führer.Inflamado, ele deu ordens imediatas que a árvore fosse derrubada. Foi nessa hora que a sacudidora de palavras abriu caminho pela multidão. Prostrou-se sobre os joelhos e as mãos.- Por favor - exclamou -, o senhor não pode derrubá-la.Mas o Führer não se comoveu, Não podia dar-se ao luxo de abrir exceções. Enquanto a sacudidora era arrastada para longe, ele se voltou para seu homem que era seu braço-direito e fez um pedido:- O machado, por favor.Nesse momento, a sacudidora de palavras debateu-se até se libertar. Saiu correndo. Acercou-se da árvore e, enquanto o Führer golpeava o tronco com seu machado, trepou até chegar aos galhos mais altos. As vozes e as batidas do machado prosseguiram, abafadas. As nuvens foram passando - como monstros brancos de coração cinzento. Amedrontada, mas teimosa, a sacudidora de palavras continuou lá em cima. Esperou a árvore tombar.Mas a árvore não se mexeu.Passaram-se muitas horas, porém, apesar disso, o machado do Führer não conseguiu tirar uma única lasca do tronco. Num estado próximo do colapso, ele ordenou que outro homem continuasse.
Passaram-se dias.
As semanas se sucederam.
Nem cento e noventa e seis soldados conseguiram causar o menor impacto na árvore da sacudidora de palavras.
-Mas como é que ela faz para comer? - perguntavam as pessoas. – Como é que dorme?
O que elas não sabiam era que outros sacudidores de palavras jogavam mantimentos, e que a menina descia até os galhos mais baixos para recolhê-los.NEVOU. Choveu. Vieram e se foram estações. A sacudidora de palavras permaneceu. Quando o último machadeiro desistiu, gritou para ela.- Sacudidora de palavras! Você pode descer agora! Não há ninguém capaz de derrotar essa árvore!A sacudidora de palavras, que mal conseguia discernir as frases do homem, respondeu com um sussurro, entregando-o por entre os ramos.- Não, obrigada - disse, pois sabia que só ela é que mantinha a árvore de pé.Ninguém era capaz de dizer quanto tempo levou, mas, uma tarde, entrou na cidade um novo machadeiro. Sua sacola parecia pesada demais para ele. Seus olhos se arrastavam. Seus pés pendiam de exaustão.- A árvore - perguntou ele ao povo -, onde fica a árvore?
Uma plateia o seguiu e, quando ele chegou, as nuvens tinham encoberto as regiões mais altas dos galhos. A sacudidora de palavras ouviu as pessoas gritarem que chegara um novo machadeiro. Para pôr fim a sua vigília.- Ela não descerá para ninguém - diziam as pessoas.Não sabiam quem era o machadeiro, e não sabiam que ele não desanimava.O rapaz abriu a sacola e tirou uma coisa muito menor que um machado.As pessoas riram, dizendo:- Você não pode derrubar uma árvore com um martelo velho!O rapaz não lhes deu ouvidos. Apenas vasculhou sua sacola, à procura de pregos. Pôs três deles na boca e tentou martelar o quarto na árvore. Nessa época, os primeiros galhos já eram extremamente altos, e ele calculou que precisaria de quatro pregos, a fim de usá-los como apoios para os pés e chegar até lá.
- Olhem para esse idiota – rugiu um dos espectadores. – Ninguém mais conseguiu derrubá-la com um machado, e esse bobalhão acha que conseguirá com...
O homem calou-se.O PRIMEIRO prego entrou na árvore e foi fixado com firmeza, após cinco marteladas. Depois entrou o segundo, e o rapaz começou a subir. (...) Ele levou muitas horas para atingir os últimos galhos e, ao fazê-lo, encontrou a sacudidora de árvores adormecida em suas cobertas e nas nuvens. Observou-a durante vários minutos. (...).O rapaz estendeu a mão, tocou no braço dela, e a menina acordou.Ela esfregou os olhos e, depois de um longo estudo do rosto do rapaz, perguntou:- É você mesmo?Será que foi do seu rosto, pensou, que tirei a semente?O homem acenou que sim. (...)JUNTOS, os dois ficaram no topo da árvore. Esperaram as nuvens desaparecer e, quando elas se foram, puderam ver o restante da floresta.- Ela não queria parar de crescer - explicou a menina.- Nem esta aqui também - disse o rapaz, e olhou para o galho que segurava sua mão. Estava certo.Depois de olharem e conversarem bastante, os dois desceram. (...)
As pessoas mal podiam acreditar no que viam e, no instante em que a sacudidora de palavras e o rapaz puseram os pés no mundo, a árvore finalmente começou a exibir as marcas das machadadas. Surgiram machucados. Abriram-se fendas no tronco e a terra começou a tremer.(...) A árvore da sacudidora de palavras, com todos os seus quilômetros e quilômetros de altura, começou lentamente a se inclinar. Soltou um gemido e foi sugada pelo chão. O mundo sacudiu e, quando enfim tudo se acalmou, a árvore ficou estendida em meio ao restante da floresta. Jamais conseguiria destruir toda ela, porém, que mais não fosse, uma trilha de cor diferente foi escavada em seu meio. A sacudidora de palavras e o rapaz subiram no tronco horizontal. Abriram caminho por entre os galhos e começaram a andar. Ao olharem para trás, notaram que a maioria dos espectadores tinha começado a voltar para seus lugares. Lá dentro. Lá fora. Na floresta.Mas, ao seguirem andando, eles pararam várias vezes para escutar. Julgaram ouvir vozes e palavras às suas costas, na árvore da sacudidora de palavras.”

(A sacudidora de palavras)
A menina que roubava livros
Markus Zusak

Essa história me fez pensar na força das palavras. Eu já sabia que as palavras podiam provocar emoções. Entre outros livros, esse me fez companhia, me fez chorar e me confortou. E eu, como escritora, também tenho um ideal de que minhas palavras toquem o coração das pessoas. Eu tinha uma certa esperança de que meus livros pudessem passar uma mensagem boa para as pessoas, que eles conseguissem encorajar as pessoas a não se conformar com os problemas, sejam eles pessoais ou de todo o mundo e que as pessoas pudessem concretizar seus sonhos e tornar todos mais felizes.
Agora penso que as palavras têm realmente muita força, que as palavras de Hitler convenceram milhares de pessoas a fazer coisas desumanas. Isso porque Hitler tinha certeza de que o que ele estava fazendo era certo, que matar pessoas e torturá-las valia a pena para alcançar o ideal do sangue puro alemão.
Se as palavras podem fazer coisas tão más, elas também devem ter força para fazer coisas boas. Só é preciso acreditar num ideal e acreditar na força delas.
E seguir em frente.